O que é aprendizagem socioemocional?

No livro As mais belas coisas do mundo, do escritor Valter Hugo Mãe, um neto apresenta as memórias que tem de seu avô. Um dia, ao conversarem sobre o que há de mais belo no mundo, como o título revela, o neto escuta uma resposta sábia: amizade, generosidade, respeito por cada pessoa e o esforço para que a vida de todos seja melhor. Esse trecho ajuda a responder à pergunta que intitula este texto, afinal, pensar em aprendizagem socioemocional é considerar um processo que se dá ao longo de toda a vida e que permite às pessoas desenvolverem um olhar atento e cuidadoso para elas mesmas, para os outros e para o mundo.

Uma das instituições mais reconhecidas no mundo sobre o tema, o CASEL, define a aprendizagem socioemocional como parte integrante da educação e do desenvolvimento humano: é o processo pelo qual jovens e adultos adquirem e aplicam conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias para desenvolver identidades saudáveis, gerir emoções, alcançar objetivos pessoais e coletivos, demonstrar empatia, estabelecer relações de apoio e tomar decisões responsáveis.

A aprendizagem socioemocional promove a equidade por meio de parcerias entre escola, família e comunidade. Seu objetivo é possibilitar experiências educativas que ajudem os estudantes a estabelecer relações de confiança e colaboração. Desse modo, é fundamental para a construção de comunidades mais justas, saudáveis e seguras.

Várias são as competências e habilidades que essa aprendizagem desenvolve. No modelo do CASEL, são destacadas as seguintes competências:

  • Autoconhecimento: capacidade de compreender as próprias emoções, pensamentos e valores e como eles influenciam o comportamento em diferentes contextos. Isso inclui reconhecer os próprios pontos fortes e limitações com um sólido senso de confiança e propósito.
  • Autorregulação: capacidade de lidar com as próprias emoções, pensamentos e comportamentos de forma eficaz em diferentes situações e de alcançar objetivos e aspirações. Inclui adiar a gratificação, gerir o estresse e sentir-se motivado(a) e proativo(a).
  • Consciência social: capacidade de compreender perspectivas e ter empatia com os outros, incluindo pessoas de diferentes origens, culturas e contextos. Também envolve reconhecer recursos e apoios familiares, escolares e comunitários.
  • Habilidades de relacionamento: capacidade de estabelecer e manter relacionamentos saudáveis e de apoio, comunicar-se com clareza, ouvir ativamente, cooperar, resolver problemas em colaboração e negociar conflitos de forma construtiva.
  • Tomada de decisão responsável: capacidade de fazer escolhas ponderadas e construtivas sobre o comportamento pessoal e as interações sociais, considerando padrões éticos, segurança e consequências para o bem-estar pessoal, social e coletivo.

Na Educação Socioemocional, a essas competências somam-se outras igualmente importantes para o desenvolvimento dos estudantes, como criatividade e pensamento crítico. Elas oferecem recursos para lidar com diferentes emoções, sentimentos, pensamentos e contextos em um mundo em constante transformação. Apoiar crianças, adolescentes e jovens de forma integral é uma necessidade prevista na legislação brasileira e também um caminho para ajudá-los a seguir procurando respostas diante dos mistérios da vida.

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